Os avanços tecnológicos têm impulsionado crescimentos notáveis na produtividade industrial desde a segunda metade do século XVIII: primeiro com a mecanização da produção, depois com a adoção da energia elétrica e a informatização das operações.

No passado mais recente, os avanços tecnológicos industriais foram apenas incrementais, especialmente em comparação com os avanços que transformaram a TI, as comunicações móveis e o comércio eletrônico.

Entretanto, agora estamos no meio de uma quarta onda de avanço tecnológico: o surgimento da tecnologia industrial digital conhecida como Indústria 4.0, uma era de Inteligência Artificial, realidade aumentada, análise de dados, sensores, máquinas, peças e sistemas de TI que serão interconectados ao longo da cadeia de valor de um produto, eliminando as barreiras de comunicação entre departamentos, empresas e clientes.

As indústrias e os mercados já estão adotando a Indústria 4.0 de diferentes maneiras, incluindo a área jurídica - o que chamamos de advocacia 4.0.

A Advocacia 4.0

A primeira preocupação de muitos advogados em relação ao tema é se eles serão substituídos pela Inteligência Artificial. A resposta é não! A tecnologia os auxiliará em muitas tarefas trabalhosas e repetitivas e em diversas etapas processuais, como protocolar uma peça inicial, acompanhar publicações online, sempre precisar ir até o Fórum etc. O McKinsey Global Institute estima que quase 1/4 do trabalho de um advogado pode ser automatizado com o uso da IA. Desse modo, sua produtividade aumentará substancialmente.

Uma das principais mudanças é a possibilidade de realizar home office, já que os procedimentos jurídicos estão mais flexíveis e digitalizados. Muitos servidores do Superior Tribunal do Trabalho e dos Tribunais de Justiça de São Paulo e de Santa Catarina já estão realizando trabalho remoto.

Além disso, os pequenos escritórios e os advogados autônomos terão maiores oportunidades, já que eles possuem custos menores e tendem a se especializar em áreas menos exploradas. Assim, mais pessoas terão acesso a esses profissionais e à justiça.

Os cursos de Direito das universidades também se adaptarão às mudanças e implementarão novas disciplinas, como comunicação, marketing jurídico e programação.

O advogado 4.0

Os advogados e os demais profissionais da área jurídica devem estar atentos às mudanças e capacitados para receber essas transformações de forma positiva. É necessário ter velocidade de interpretação, criatividade, empatia e grande capacidade de conexão e analítica voltada à cultura data-driven.

O advogado 4.0 deve conciliar seu conhecimento jurídico a outras habilidades na área de ciência de dados e programação, além de investir parte do seu tempo para o marketing digital, criando perfis em redes sociais e produzindo conteúdos interessantes ao seu público-alvo, uma vez que a internet é um ótimo meio para captar pessoas com problemas jurídicos.

Esse profissional também utiliza diversas plataformas para facilitar o seu trabalho, seja assinando contratos digitais ou realizando conciliações e gestão de processos online. Desse modo, ele não terá que se preocupar com questões burocráticas e aumentará sua produtividade em questões de maior relevância.

IA e Jurimetria

Já existem diversas ferramentas de Inteligência Artificial, Analytics e Jurimetria que analisam o percentual de decisões favoráveis sobre cada tema, realizam conciliações online e gestão de contratos e processos, além de muitas outras funcionalidades para profissionais jurídicos e empresas.

O Semantix AIJUS, por exemplo, utiliza ferramentas de Machine Learning para entender o perfil do requerente, características dos processos e padrões dos tribunais, avaliar resultados e probabilidade de riscos em processos judiciais, além de diminuir gastos com o contencioso em massa. Por meio da Inteligência Artificial, o Semantix AIJUS inicia a atuação na propensão ao ajuizamento e oferece modelos de predição que auxiliam na criação de planos de ações mais eficazes.